Desde a escolha dos exercícios ao planeamento dos treinos, os atletas e os treinadores estão constantemente à procura de formas de maximizar o desempenho. Uma das áreas mais estudadas é a forma de melhorar a velocidade e a força de sprint, especialmente em desportos como o futebol. Recentemente, um estudo publicado no The European Journal of Sport Science explorou os efeitos agudos de dois exercícios populares, o hip thrust ou sled pull e a ponte glútea, no desempenho do sprint e no perfil de força-velocidade horizontal em jogadores de futebol.
Conceitos de PAP e PAPE no desporto
A potenciação pós-ativação (PAP) é um fenómeno que melhora o desempenho explosivo imediatamente após uma atividade de pré-carga, como o sprint. Este efeito depende de fatores como o tipo de fibra muscular, o nível de aptidão física e as caraterísticas da atividade de condicionamento (CA), incluindo a sua intensidade, duração e volume. No entanto, a literatura tem diferenciado entre a PAP, que se baseia em mecanismos fisiológicos de curto prazo, e a melhoria do desempenho pós-ativação (PAPE), que é atribuída a efeitos mais duradouros, como o aumento da temperatura muscular e a acumulação de fluido intracelular. Este último termo é mais apropriado para estudos centrados no desempenho.
A importância da PAPE no treino desportivo
A PAPE tem sido aplicada em vários desportos para melhorar parâmetros como o salto vertical, a força no supino e, neste caso, a corrida, através de atividades de condicionamento como o agachamento, o power cleans, a pliometria e exercícios específicos como o hip thrust. Este último é particularmente eficaz para trabalhar os extensores da anca, como o glúteo máximo, e é útil em atividades com vetores de força horizontais, como o sprint. Além disso, foram desenvolvidas variações, como a ponte glútea, que também utiliza um vetor horizontal, mas com diferenças biomecânicas na posição do tronco, o que afeta a ativação muscular. Enquanto o hip thrust ativa mais o vasto lateral, a ponte glútea foca o glúteo médio e o glúteo máximo, sendo particularmente relevante para a fase de aceleração do sprint.
Uma vez que tanto a impulsão da anca como a ponte glútea trabalham com vetores horizontais, mas geram ativações musculares diferentes, explorar os seus efeitos com cargas diferentes pode fornecer informações valiosas para conceber um treino personalizado, adaptado às necessidades neuromusculares de cada atleta.
Como foi realizado o estudo?
O estudo intitulado «The acute effects of hip thrust and glute bridge exercises with different loads on sprint performance and horizontal force-velocity profile in adolescent soccer players: a post-activation performance enhancement approach» estudou os efeitos agudos do PAPE com diferentes cargas (84% e 60%) e de exercícios como hip thrust glute bridge no desempenho do sprint e nos componentes do perfil horizontal força-velocidade em jogadores de futebol. Foram incluídos 40 jogadores de futebol com experiência em treino geral e treino de força. Os jogadores foram distribuídos aleatoriamente por três grupos: grupo de impulsão da anca, grupo da ponte glútea e grupo de controle. Foram efectuados testes de sprint nas distâncias de 10, 20 e 30 metros antes e depois dos protocolos PAPE com um período de descanso de 7 minutos.
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Resultados relevantes
O estudo demonstrou que os protocolos PAPE utilizando os exercícios hip thrust e ponte glútea com cargas de 84% e 60% de 1-RM geraram efeitos moderados a pequenos nos componentes do perfil de força-velocidade horizontal, bem como no desempenho de sprint a 10m, 20m e 30m. Uma vez que o sprint depende mais da força horizontal do que da vertical, ambos os exercícios influenciaram o desempenho, apoiando a utilização eficaz de cargas moderadas na otimização do sprint em desportos como o futebol.
Esta abordagem alarga a compreensão dos métodos de condicionamento muscular e sugere que a ponte glútea pode ser uma alternativa eficaz ao impulso da anca para melhorar a aceleração e as propriedades cinéticas da corrida de velocidade. Embora ambos os exercícios partilhem um vetor de força horizontal, as suas diferenças na ativação muscular sugerem que podem ter efeitos complementares no desempenho do sprint. No entanto, a investigação sobre a ponte glútea continua a ser limitada, sendo necessários mais estudos para confirmar a sua eficácia neste contexto.
A principal inovação deste estudo reside na inclusão do exercício de ponte glútea como uma ferramenta para induzir efeitos PAPE nos jogadores, diferindo de investigações anteriores que se centraram principalmente na impulsão da anca. Além disso, salienta a importância de selecionar exercícios com base na biomecânica específica do desporto, oferecendo estratégias de treino mais personalizadas.
Impacto do PAPE na corrida de velocidade
O estudo também concluiu que os protocolos PAPE tiveram um impacto moderado na força máxima relativa, na potência máxima relativa e na inclinação força-velocidade, enquanto o efeito na velocidade máxima teórica e na força reativa máxima foi pequeno. Estes resultados são consistentes com investigações anteriores que salientam a importância da força horizontal para a aceleração e o desempenho do sprint. Além disso, verificou-se que os exercícios orientados horizontalmente, como o impulso da anca e a ponte glútea, favorecem a aplicação de força na direção necessária para a fase de aceleração, o que pode explicar as melhorias observadas nos componentes do perfil força-velocidade.
Implicações finais
A escolha entre a impulsão da anca e a ponte glútea depende das necessidades específicas do atleta e do desporto em questão. No entanto, este estudo realça a importância de considerar ambos os exercícios como ferramentas valiosas na procura de um melhor desempenho. Estes resultados sublinham a necessidade de mais investigação e adaptação das estratégias de treino para maximizar o potencial dos atletas.
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