O crescimento de mercados emergentes obriga a inovação de empresas ocidentais

As grandes empresas ocidentais se estenderam por todo o mundo, mas para atender mercados emergentes, com uma população de salários escassos e necessidades particulares, os grandes negócios se viram obrigados a se reinventar. Esta mudança não se dá apenas em nível de produto, mas também no nível de sua estratégia de mercado. Por outro lado, as empresas que surgiram em mercados emergentes começam a crescer e a estender seus produtos e serviços tanto no âmbito local como internacional, levando consigo inovadores modelos de negócio.

As empresas grandes de países emergentes estão adotando estratégias para atender o mercado que fez com que se transformassem em centros de inovação empresarial. Por décadas esses negócios enfrentaram condições de mercado muito difíceis por atenderem usuários com baixos salários, condições econômicas e políticas instáveis, e neste contexto uma rápida adaptação às condições do mercado foi a única resposta que permitiu a estas empresas crescer e expandir.

As empresas ocidentais procuram entrar nos novos mercados com seu atual catálogo de produtos, e utilizando a mesma estratégia de mercado que utiliza em outras localidades. No entanto, para obterem sucesso nos mercados emergentes é preciso que as empresas adaptem seus produtos e estratégias às necessidades do mercado local.

De acordo com Joaquín Amat Royo, professor do EADA, 78% da população mundial fazem parte de dois segmentos que são encontrados principalmente nos mercados emergentes. Estes dois segmentos podem ser divididos em: “consumidores com baixos ganhos, com rendas de até 2.500 dólares anuais; e consumidores com rendas médio-baixas, entre 2.500 e 10.000 dólares. As tendências atuais indicam que até 2020 o segmento de baixos ganhos será reduzido para 24 %, em favor dos de médio-baixos”.

Para atender as necessidades desses mercados em crescimento é preciso uma grande dose de inovação e um grande esforço de adaptação às necessidades e estrutura econômica local. Amat diz que empresas locais desenvolveram produtos que não são vistos em outros lugares do mundo. Por exemplo, na China a empresa Haier adaptou máquinas de lavar roupa para que os usuários também pudessem lavar batatas e verduras, ou a empresa NetPC, nova na Índia, que comercializa um computador sem armazenamento que custa apenas 104 dólares. Sem esquecer as empresas que optam por uma estratégia de aproximação ao cliente como as Casas Bahia, no Brasil, que investiu na criação de uma aproximação emocional com os clientes, pessoas de salários baixos e variáveis. Nessa empresa, os vendedores educam os consumidores para que possam comprar de acordo com os seus orçamentos, reduzindo a possibilidade de que se frustrem ao tomar uma má decisão. Essa estratégia permitiu que a empresa crescesse com 430 lojas em oito estados e superasse em tamanho inclusive seus cinco principais concorrentes juntos.

As empresas realizaram em mercados emergentes exercícios de adaptação a condições difíceis que as empresas ocidentais não realizaram até agora. Se as empresas querem ampliar sua fatia de mercado, serão obrigadas a se adaptar aos novos mercados e para isso é necessária muita inovação e criatividade.

 

Fonte: http://fnbr.es/nm

Foto: http://epsos.de/