O que antes era apenas entulho ou um estorvo na vida das pessoas, hoje é disputado por diferentes setores da economia brasileira. Apenas no primeiro semestre de 2012, 463 mil toneladas de pneus velhos, que teriam como destino final o lixo, tornaram-se matéria prima para ou energia.

Um dos principais destinos desta matéria prima são as usinas de tratamento. Lá o produto é misturado e denominado de “asfalto borracha”. O piche com pneu velho derretido é misturado com pedras. Da usina, que fica no estado de São Paulo, saem 500 toneladas por dia de asfalto borracha.

Desde o início do funcionamento da usina, há sete anos, já foram produzidas 750 mil toneladas de asfalto borracha. Essa produção assegurou uma destinação inteligente para 400 mil pneus velhos. “A principal vantagem é a durabilidade, porque nós temos uma expectativa de que seja 40% mais do que o asfalto comum. Além disso, provoca um ruído menor na rodovia, menos spray, que é aquela água que levanta dos pneus quando chove, além do ruído também ser menor. Outra vantagem muito grande é em relação ao tempo de intervenção. Porque, quanto mais você demora para interferir na pista, você está interferindo menos na vida do usuário da rodovia”, explica Paulo Rosa Machado Filho, assistente de projetos especiais da Ecovias.

Uma nova geração de asfalto borracha está sendo testada em laboratório. A ideia é reduzir ao máximo o uso de calor na hora de aplicar o asfalto nas rodovias. Com menos calor, utiliza-se menos energia e há menos custos.

Outro grande segmento que aproveita os pneus velhos como matéria prima é de cimento, 64% dos pneus vão parar nas usinas de cimento.

Para cozinhar a matéria prima a temperaturas que chegam a 1.500°C, é preciso muita energia a um custo cada vez mais alto. A melhor opção é queimar pneu velho. “É importante porque eles deixam de utilizar um combustível fóssil e acabam reutilizando um pneu que, para eles, são entregues a custo zero. Então, tem um valor energético mais baixo, eles ganham um valor energético que eles teriam de comprar”, diz César Faccio, gerente geral da Reciclanip. E, ao contrário do asfalto, que só aproveita a borracha do pneu, as cimenteiras aproveitam tudo, inclusive a malha de aço que vem junto com as carcaças.

Portanto, ao jogar um pneu fora, lembre-se que hoje em dia ele tem valor de mercado.